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Por que fazer o térreo livre?

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Dois prédios muito parecidos na sua natureza e na sua localização mas muito diferentes em sua relação com a cidade. Ambos de salas comerciais em esquinas da Rua Cubatão, uma rua muito movimentada, próxima da Paulista, cheia de gente andando para um lado e para o outro. Um prédio está cercado e o outro não tem fechamento nenhum.

O prédio na esquina com a Afonso de Freitas abriga o Ministério Público do Trabalho. O térreo recebeu um gradil de vidro (que é muito melhor que um muro), jardins e espelho d´água. O cercamento foi feito quase todo junto do alinhamento da calçada.  Tem também uma “porte-cochère”, aquele acesso de carros em que a pessoa pula do carro para o interior do prédio sem precisar tocar o chão (mas duvido que usem). Para dentro do gradil, só o segurança e os eventuais visitantes. A maioria dos edifícios residenciais e comerciais segue este padrão.

Na esquina com a rua Sampaio Viana, o prédio projetado por Jonas Birger tem inquilinos variados e o térreo é aberto. O projeto paisagístico de Isabel Duprat é sofisticado: tem espelho d´água, muro de pedra, jardim iluminado, piso de granito apicoado. Junto à entrada do edifício, há uma cobertura que acolhe o visitante e também abriga mesas e cadeiras, que podem ser usadas para descanso, espera e lanchinho. Tudo aberto. Ali já foi montada uma banca de livros infantis. Se o desejo do térreo aberto partiu do arquiteto, da paisagista ou do cliente ainda não sei, mas é mérito de todos que a ideia tenha ido a diante.

A primeira vez que passei por ali essa elegância toda me chamou a atenção.  Mas quem compara um espaço com o outro todos os dias é o arquiteto Carlos Amorim Lavieri​, que mora por ali, que frequenta a Casa das Rosas, e cujo cotidiano seria mais interessante se os espaços urbanos tiverem mais qualidade. O dele e o de todo mundo. (Também se as esfihas vendidas por ali mantiverem a receita).  A cidade dos sonhos está nos detalhes.

Texto:  Francine Sakata, arquiteta paisagista, maio 2015.

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