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O caso raro do Itaú Conceição

Em São Paulo, a estação Conceição do metrô é acessada por uma praça muito sofisticada, ornada com vegetação, espelhos d´água e esculturas.  Junto à saída da estação, sob a copa da árvore, meninos dançam hip-hop.  Escadaria acima está um terminal de ônibus movimentado. A praça é também entrada de cinco edifícios administrativos do Banco Itaú. É um caso raro de espaço público de grande qualidade, executado e mantido por uma empresa privada.

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O nome oficial é Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha mas o lugar é também o Centro Empresarial Itaú Conceição. Concluído em 1990, este conjunto tem origem em uma operação urbana conduzida pela Emurb, a Empresa Municipal de Urbanização, por ocasião da construção do metrô. A venda de terrenos para o banco que tiveram que ser desapropriados e comprados para a obra do metrô era uma forma de recuperar parte do investimento. O projeto foi feito pela Itauplan para a Emurb. O paisagismo ficou por conta de Maria de Lourdes Oliveira.

Os edifícios foram posicionados girados para não parecerem um bloco único. Uma das torres foi feita espelhada e sobre um apoio único central.  Mas o que chama a atenção é a praça. Conta-se que o dono do banco mandou os projetistas viajarem pelo mundo pesquisando fontes e chafarizes.

Se alguém for fotografar o espaço, surgirão seguranças questionando a finalidade das imagens. Eles estão lá o tempo todo, fazendo a vigilância do banco mas são uma presença sutil e não há muros ou grades. Em geral, no Brasil, há barreiras agressivas separando o espaço público do privado. Ali são os espelhos d´água que fazem esta separação entre as áreas de circulação do povo e os halls de entrada dos edifícios. Visualmente parte dos espaços privados continua acessível e tudo foi feito com a mesma qualidade, com os mesmos pisos de granito e mosaico português vermelho.

Para um lugar assim nascer, é porque deu certo de juntar muita gente esclarecida. Será que o Parque Augusta não  podia ganhar um projeto assim, inteligente e bem feito, para o empreendedor, o povo, a prefeitura, todo mundo sair ganhando?

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Texto: Francine Sakata.  Fotos: Caroline RibeiroCauê Aragão/ 2014.

Referência:

ROBBA, Fabio e MACEDO, Silvio Soares. Praças Brasileiras. São Paulo: Edusp, 2002.

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