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Jovens adultos consumindo cidade

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O espaço público tem sido utilizado de muitos novos jeitos que não aconteciam anos atrás. No Carnaval paulistano, blocos levaram milhares de “foliões” às ruas. “Coletivos” se organizam pelas redes sociais e ocupam praças com estruturas criativas. Aos domingos, parques e avenidas fechadas para os automóveis são lugar de corridas, rolés de bike e showzinhos de música. Há cadeiras nas calçadas por todos os bairros. Até postos de gasolina recebem boêmios sob suas marquises bem iluminadas.

Por que isso? Uma explicação é a correlação entre essas demandas urbanas e a pirâmide populacional. Nos anos 1980, nasceu muita gente no Brasil, como nunca antes (nem depois). Para atender essa faixa da pirâmide etária, nos anos 1990, foram necessários equipamentos públicos para as crianças e adolescentes, como escolas e quadras esportivas. Nos anos 2010, os nascidos em 1980 estão com 30 e poucos anos. Eles agora são jovens adultos, que compram apartamentos de um dormitório no centro da cidade e encontram os amigos nos bares e nas ciclovias.

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Essa correlação foi apontada por Kazuo Nakano, mestre pela FAUUSP e doutor em Demografia pela UNICAMP, durante o 1o. Ciclo de Debates Quapá-SEL realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 2015, organizado pelo Prof. João Meyer. Nakano mapeou o salto no número de crescimento dos domicílios unipessoais (em que mora apenas uma pessoa). Ele aponta diferenças de perfil nas pessoas que moram sozinhas no centro expandido e na periferia: no centro cresceu o número de homens jovens em apartamentos pequenos e, na periferia, predominam mulheres mais velhas que ficaram sós nas casas da família.

E, se estamos vendo a cidade tomada por adultos animados, já não encontramos mais, nas calçadas e ruas das periferias, a criançada gritando. De novo, a pirâmide explica.

Texto: Francine Sakata

Fotos: Parque Cândido Portinari (Francine Sakata, 2015) e Pit-dog em Goiânia (Diogo Sakai, 2015).

Recomendamos:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/04/29/populacao-adulta-foi-a-que-mais-cresceu-na-ultima-decada.htm

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/04/29/sao-paulo-concentra-maiores-densidades-demograficas-do-pais-menores-estao-no-amazonas.htm

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Qual será o futuro da Praça Victor Civita?

A linda praça em São Paulo que era também uma peça de propaganda da Editora Abril, teve sua gestão e manutenção entregues à Subprefeitura de Pinheiros no primeiro dia deste ano. É de se esperar que a agenda de peças teatrais, contação de histórias e pequenos shows seja reduzida (a zero). As visitas de escolas em que se abordava a questão do lixo também devem sofrer. E o que será dos sofisticados decks de madeira?

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Projeto das arquitetas Adriana Levisky e Anna Julia Dietzsch inaugurado em 2008, a Praça Victor Civita presenteou São Paulo com decks suspensos de madeira que, ao invés de terminarem retos, como seria o convencional, enrolam-se em curvas que se transformam em bancos, guarda-corpos e coberturas. Sob essas coberturas há estação de ginástica, palco e platéia. Tudo elevado do solo, que estava contaminado porque ali funcionou um incinerador de lixo.

O visitante nunca tem contato com o solo. No sopé das árvores existentes foram feitos canteiros com  tampas de grade. Os jardins novos e as hortas foram plantados sobre uma base de ardósia isolada do antigo chão. E o passeio é mesmo sobre o deck de madeira. O edifício existente virou uma espécie de museu discreto da Editora Abril e era mais uma atração para descanso, lazer e banheiros limpos.

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No link abaixo, Edison Veiga, do Estadão, anuncia o fim da parceria que viabilizou a praça, firmada em 2007 entre o Grupo Abril, que está ainda instalado no terreno ao lado, e a Prefeitura de São Paulo. O site da associação informa: “Embora todas as atividades oferecidas venham de forma graciosa, manter uma estrutura com tantas particularidades exige tratamento diferenciado, o que custa alguns milhares de reais por mês. Seria de se estranhar se a crise que o país enfrenta não nos atingisse. Perdermos empresas parceiras mantenedoras e outras não aderiram ao projeto.” O valor gasto na manutenção não foi informado com precisão.

O grande problema, a meu ver, é que a praça é de difícil acesso, o que era compensado pela gestão privada, que montava essa agenda de atividades e cuidava da estrutura física com um zelo que não é comum à gestão pública de espaços livres. Quando não recebia nenhuma atividade, o local era pouco frequentado. A praça também não é cercada por ruas, ela dá frente para uma única rua local (como um lote), com quase nenhuma passagem de pedestres. A passagem de pessoas ajuda a inibir violência e vandalismo. Sem o mesmo uso e sem os “padrinhos” que lhe faziam uma manutenção, o risco de degradação é iminente.

O projeto de praça que lá está implantado não é o mais adequado à estrutura de manutenção do poder público mas é um primor arquitetônico-paisagístico. A transferência de uma repartição pública para o edifício seria capaz garantir um maior uso público? Será que a sociedade terá interesse e recursos para mantê-lo? A chance de sobrevida parece residir numa nova adoção.

Texto: Francine Sakata. Fotos: Bruna Santana.

Referências:

http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/edison-veiga/abril-encerra-parceria-na-praca-victor-civita/

http://pracavictorcivita.org.br/2015/12/21/associacao-amigos-da-praca-victor-civita-encerra-um-ciclo/

http://www.archdaily.com.br/br/01-10294/praca-victor-civita-levisky-arquitetos-e-anna-julia-dietzsch

 

A via expressa que quer ser linha verde

O resultado da intervenção paisagística para a avenida que corta Curitiba – a BR 116 em Curitiba – é acima da média nacional. Ainda assim, está longe de ter tornado aquele espaço público agradável. Que tipo de qualificações as vias expressas no meio das cidades merecem?

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Imagens do site da prefeitura.

A BR116 corta Curitiba e atravessa uma série de bairros de renda média e média-baixa. De certa forma, ela se opõe ao setor mais rico, a norte e noroeste e, ao longo dos anos, recebeu várias propostas de requalificação, todas com o objetivo de transformar a rodovia em uma via urbana, integrando-a à cidade. Buscava-se também ampliar a integração física entre os dois lados da rodovia.

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Projeto BR-Cidade - 1996Sistema de Transporte de Alta Capacidade (STAC) - 1999

Os Projetos BR-Vida (1993), BR-Cidade (1996) e Sistema de Transporte de Alta Capacidade (1999).

O projeto mais recente de requalificação da BR 116, e que foi implantado, envolveu uma operação urbana consorciada.  Operação Urbana Consorciada é um instrumento legal previsto no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor de Curitiba de 2004 que prevê a venda, pela prefeitura, de um direito adicional de construir. Este direito é alienado em Certificados de Potencial Adicional de Construção, também chamados cepacs. Os recursos financeiros oriundos de sua venda o município pode dispor para “melhorias urbanísticas estruturais, sociais e a valorização ambiental”. É uma forma de capturar recursos privados para obras públicas.

As cepacs fizeram fama na Operação Urbana Faria Lima, em São Paulo, nos anos 1990. Esta operação urbana foi um grande sucesso para dinamizar o mercado imobiliário. Os bairros paulistanos da Vila Olímpia e do Itaim ganharam edifícios corporativos e residenciais moderníssimos sobre suas ruas estreitas e calçadas modestas.  Não é exagero dizer que são arranha-céus envidraçados sobre um arruamento de favela. No quesito desenho urbano, o que se tem hoje é péssimo.

Os recursos obtidos nesta negociação, a prefeitura investiu no prolongamento da avenida Faria Lima, em dois túneis no cruzamento desta com outras avenidas e, creio, na infraestrutura dessa região. Não havia espaços públicos qualificados para o lazer e para fruição senão os canteiros centrais da avenida e uma ciclovia que, na ocasião, não se conectava a nada. Em 2008, numa outra parceria com a iniciativa privada, foi implantado um parque público ali, o Parque do Povo, em terrenos envolvidos em um imbróglio jurídico que perdura em 2015.

A operação urbana com leilão de cepacs virou o sonho das municipalidades, que tem grande parte de suas verbas comprometidas com gastos fixos e limitada capacidade de investimento. E o modelo da Faria Lima foi adotado na Operação Urbana Água Espraiada, também em São Paulo, no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (que inicialmente previa apenas edifícios corporativos e depois incluiu os residenciais) e em outras, inclusive a operação consorciada de Curitiba, que recebeu o sugestivo nome Linha Verde.

Projeto Linha Verde – 2003

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Projeto para a Linha Verde

Em 2015, mesmo paisagisticamente tratada, a Linha Verde remete à Marginal Tietê ou ao início da Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo, e a muitas outras semelhantes pelas cidades brasileiras, com seus grandes galpões que abrigam um comércio que gosta de espaço: concessionárias, lojas de móveis, de materiais de construção, grandes cadeias varejistas – Decathlon, Tok&Stok, C&C.

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A prefeitura informou que, dos 99 milhões de reais de cepacs leiloadas, arrecadou 34,4. A impressão que se tem é que o adicional construtivo não seja cobiçado ali porque há muitos lotes grandes e, mesmo sem o adicional, os empreendimentos se viabilizam e ainda há bastante potencial a construir em outros bairros da cidade. Os desenhos do Instituto de Planejamento de Curitiba mostram edifícios sugerem edifícios residenciais e comerciais. É um horizonte mais plausível que instituições financeiras e multinacionais.

Mas ela é acima da média nacional porque recebeu, no centro, a via exclusiva do transporte público. Para os pedestres, o ambiente não é acolhedor e as distâncias são longas mas a existência das linhas do BRT permitem que seja possível chegar até lá de forma digna e que haja campus universitários e conjuntos habitacionais ao longo da via. Os pedestres também existem na Marginal Tietê e na Raposo Tavares paulistana, mas finge-se que são aventureiros clandestinos.

Em meio aos canteiros da BR116, foi também implantada uma ciclovia. Há quem reclame que o traçado é sinuoso e que isto alonga um trajeto que o ciclista faz para se deslocar de um ponto a outro, não necessariamente por passeio. Mas a ciclovia está lá. Resta acompanhar como a cidade se desenvolve ao longo da infraestrutura colocada.

Texto: Francine Sakata

Referências:

http://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/cepac-operacao-urbana-consorciada-linha-verde/576

Apresentação da Prefeitura de Curitiba na Oficina Quapá-SEL, na UFPR, organizada pelo Prof. Alessandro Filla Rosanelli, em junho de 2015 (imagens não creditadas).

Cota ambiental da prefeitura de São Paulo

Três técnicos da prefeitura de SP, liderados pela geóloga Patricia Sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano – SMDU, estiveram na FAUUSP, a convite da prof. Paula Santoro, no dia 15/09/2015 para explicar a QA – cota ambiental, esta lei que eles muito heroicamente desenharam. Heroicamente porque deu para perceber que eles eram poucos, o trabalho imenso e as dificuldades maiores ainda. O projeto agora tramita na Câmara dos Vereadores para aprovação. Mas o instrumento que eles criaram para melhorar os padrões ambientais dos empreendimentos é mais inteligente do que o que as leis vigentes e espero que todos compreendam que se trata de um avanço.

Foi criado um método para cada empreendedor pontuar ambientalmente o seu empreendimento novo (ou reforma com aumento de área). Desta forma não é preciso que todos atendam indistintamente a uma lei genérica (como a que estabelece que 15% do lote deve ser permeável). Cada empreendimento faz uma combinação das soluções e monta o seu ‘cardápio’. Existe uma pontuação mínima a ser atendida e deverá valer para todos os lotes maiores que 500m². Pontuações acima do mínimo podem ser premiadas com descontos na outorga onerosa ou com acréscimo na área permitida.

Conceitos complexos foram o ponto de partida mas passaram por simplificações para viabilizar o modelo e a aplicação. Definiu-se, enfim, que a vegetação (que engloba qualidade ecossitêmica + microclima) e a drenagem são os recursos a garantir no momento. No caso da vegetação, era importante dar mais valor às árvores existentes porque, hoje, no município, tem sido mais conveniente aos empreendedores cortar tudo e compensar depois com o plantio de mudas. No caso da drenagem, reservatórios se complementam com jardins, pisos drenantes e outras possibilidades, inclusive jardins-de-chuva e drenos de infiltração (com a ressalva de que, neste caso, será preciso apresentar o laudo do hidrólogo porque a prefeitura não dispõe de um mapa de permeabilidade lote-a-lote para avaliar a eficiência dos sistemas de infiltração projetados).

O arquiteto não precisa fazer contas porque as fórmulas matemáticas foram montadas em um programa de computador, nos moldes da declaração de imposto de renda. O “simulador” calcula a partir das áreas ou unidades determinadas em projeto. Os técnicos da prefeitura acreditam que o projeto precisará ser estudado com mais cuidado e que o projetista ganhará importância.

Os detalhes e as limitações são muitos e foram explicados com paciência e honestidade. A conclusão é de que é um avanço mas que é preciso continuar a avaliar os parâmetros estabelecidos, fazer mais simulações e descobrir se as metas ambientais estão muito abaixo ou acima do que a sociedade e os empreendedores poderiam atingir neste momento.

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Texto: Francine Sakata, setembro de 2015

Imagem e mais informações:

http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/cota-ambiental-2/

Parque Sabesp Móoca: o antigo e o novo

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O terreno do Parque Sabesp Móoca Radialista Fiori Gigliotti continha edifícios e árvores antigas. Uma caixa d´água é bonita em art-deco. (A do Parque Sabesp Butantã, é moderna, em concreto. Ambas receberam iluminação noturna azul). O novo projeto acrescentou elementos contemporâneos – em especial uma rampa e um pergolado metálicos, pintados de vermelho – e renovou todo o conjunto.

Feito pelo escritório Levisky Arquitetos Estratégia Urbana com a parceria de Fany Galender (paisagismo), o novo espaço, inaugurado em 13/09/2014, recebe caminhantes, famílias com crianças, pessoas a passeio. O gramado permite múltiplos usos inclusive treinos esportivos. De acordo com a Sabesp, foram investidos R$10,5 milhões. A área tem 37.867 m².

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Endereço: Avenida Paes de Barros, 2107, Alto da Mooca

Link para o mapa:

https://www.google.com.br/maps/place/23%C2%B034’06.9%22S+46%C2%B035’14.2%22W/@-23.5685829,-46.5872778,15z/data=!3m1!4b1!4m2!3m1!1s0x0:0x0

Texto e fotos: Francine Sakata

Referências:

http://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/levisky-arquitetos-estrategia-urbana_/parque-sabesp-mooca/1686

Associação dos Amigos do Parque Sabesp Mooca no Facebook (www.facebook.com/parquesabespmooca)

http://www.areasverdesdascidades.com.br/2014/10/parque-sabesp-mooca-radialista-fiori.html

Parque Sabesp Butantã: propaganda do bem

É um parque muito pequeno (10.000m²) em um terreno muito íngreme, mas o resultado é excelente. A Sabesp implantou em conjunto com outros dois em São Paulo, um na Móoca e outro em Cangaíba. As áreas já pertenciam à empresa e os parques funcionam como uma ação propaganda, espelhando uma preocupação com o público. Nesta ação, todas as partes saíram ganhando.

Na parte mais baixa, há uma entrada, com uma pracinha. Para vencer o desnível foi criada uma rampa que funciona também como circuito de caminhada e mirante. Há ainda a opção de subir por uma escada de degraus charmosos. Na parte mais alta, três decks metálicos vermelhos são os mirantes oficiais para a paisagem.

Três grandes reservatórios d´água, que armazenam 15 milhões de litros de água e atendem 18 bairros, são marcos do bairro. O mais alto deles está sendo iluminado à noite com uma luz azul-espacial. Os reservatórios mais baixos foram embalados com mensagens do gênero “cuide bem da água”. Esses pôsteres, do tamanho dos reservatórios, ficaram grande demais para um parque público, que seria, idealmente, um local de descanso desse tipo de peças.

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O projeto e a obra são mais sofisticados que o padrão usual dos parques da prefeitura ou mesmo do estado.  Trata-se de um parque público de um ente meio-público-meio-privado, que é o caso da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), uma empresa mista de capital aberto que tem o governo do Estado de São Paulo como principal acionista (50,3%). Segundo a empresa, as obras, que iniciaram em março de 2014, contaram com investimentos de R$ 6 milhões e geraram 260 empregos diretos e indiretos.

O projeto foi desenvolvido pelo escritório Levisky Arquitetos com a colaboração de Fany Galender (paisagismo). A população do entorno, de classe média predominantemente (bairros Vila Gomes, Jardim Bonfiglioli e Rio Pequeno) parece satisfeita. Eles podem desfrutar também de uma sala para atividades e um pequeno playground. Vamos torcer que estes parques tenham vida longa e que as empresas todas enxerguem as cidades onde atuam com uma visão mais generosa e ampla.

Endereço: Rua Coronel Ferreira Leal, 305.

Link para o mapa:

https://www.google.com.br/maps/place/R.+Cel.+Ferreira+Leal,+305+-+Vila+Gomes,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+05589-090/@-23.5765353,-46.7372879,17z/data=!4m7!1m4!3m3!1s0x94ce56652743431f:0x3c627c014ae016d3!2sR.+Cel.+Ferreira+Leal,+305+-+Vila+Gomes,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+05589-090!3b1!3m1!1s0x94ce56652743431f:0x3c627c014ae016d3

Texto e fotos: Francine Sakata, setembro de 2015

Referências:

http://site.sabesp.com.br/site/imprensa/noticias-detalhe.aspx?secaoId=65&id=6638

http://www.areasverdesdascidades.com.br/2015/08/parque-sabesp-butanta.html

http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/urbanismo/escritorio-levisky-arquitetos-assina-o-projeto-do-parque-sabesp-butanta-304511-1.aspx

O Parque Augusta e a falta de um projeto inteligente

Em torno do Parque Augusta e do inédito movimento popular que luta para sua transformação em parque público duas forças se polarizaram: de um lado, os ativistas preocupados com a preservação do verde na selva de pedra e a gestão comunitária; de outro, o capital imobiliário ávido pelo lucro que ergue e destrói coisas belas.

No meio disso tudo, o poder público adotou uma postura ambígua: decretou a área como parque mas manteve a permissão aos proprietários de construir nele (e todos ficamos conhecendo o “direito de protocolo”).

O prefeito e os técnicos da prefeitura partem de um princípio que é correto: não disponibilizar vultosos recursos em um parque na área central, dadas as carências das regiões mais pobres e as contas apertadas da prefeitura. Além disso, há a possibilidade do parque público ser pago pelo empreendedor privado, em cerca de 70% da área.

O objetivo deste texto é salientar e sugerir questões que considero relevantes ao debate:

  • é correta a posição da prefeitura de priorizar regiões carentes;
  • o poder público, entretanto, é limitado para gerir racionalmente a aplicação das verbas e investe (ou ameaça investir) em obras caras e pouco justificáveis, caso da reforma completa do Vale do Anhangabaú. Se os investimentos públicos serão direcionados não em uma lógica de planejamento mas de gestão de oportunidades, o Parque Augusta é uma obra necessária e oportuna;
  • é correta a posição da sociedade de preservar um bosque remanescente e alegar que o parque ali seria de toda a cidade, não apenas dos moradores do entorno;
  • a postura do construtor é a pior possível e ajuda a alimentar a polêmica. Ao invés de um discurso mais generoso e conciliador, Antonio Setin, em entrevista, reclamou da violação do cadeado do portão, da sujeira, do grafite, do barulho dos manifestantes, desqualificou a gestão comunitária e clamou pela elitização. “Nada de baladas, discussões em grupo e mutirão de limpeza. O Parque Augusta terá estrutura de primeiro mundo com segurança particular e wi-fi. Por 24 horas terá um shopping com restaurante, café, banco, farmácia, hotel. Uma parte será de escritórios, estúdios para solteiros e apartamentos de 1, 2 e 3 dormitórios.”;
  • o projeto apresentado pela construtora para o parque público não é bom. A área de preservação está separada da calçada da Augusta e entre os edifícios há um canteiro pretensamente monumental, difícil de usar. A proposta do escritório Levisky apresentada a um jornal como um exercício de possibilidades, com a área de preservação integrada a uma praça central e à calçada e o edifício sobre pilotis (ele poderia ser ainda mais alto), é muito superior (imagem com a projeção do filme Priscila, a Rainha do Deserto);                  Setin_Cyrellaprojetos_Levisky
  • algumas propostas, apresentadas como estudos, com a área toda coberta por árvores, tal qual o Parque Trianon, também não são boas. Um parque urbano pode e deve ter mais animação e ser feito com foco nas pessoas antes dos pássaros;
  • ainda falta um bom projeto, que poderia ser um projeto com torres e o parque público pago e mantido pela iniciativa privada, para todo mundo sair ganhando. Este foi o caso do Itaú Conceição para a saída do metrô Conceição, que é um lugar de passagem (não de preservação) com qualidade e uso público. Isso dependeria de maior generosidade dos ativistas, em relação aos recursos municipais, mas, principalmente, dos empreendedores, com a qualidade da cidade que produzem.
  • Além dos custos de implantação, não esqueçamos dos custos de manutenção. A prefeitura mal dá conta e, também por isso, cerca seus parques. A área merece o melhor parque o dinheiro privado puder pagar.

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Para os não-paulistanos, um breve resumo: o Parque Augusta é, até 2015, um terreno de 24.750m² (aproximadamente 150m x 160m) com um remanescente de cobertura vegetal e algumas paredes de um antigo colégio. O “Baixo Augusta”, como ficou conhecido este trecho da cidade, tem atraído pessoas de toda a cidade, com bares, restaurantes, festas, teatros.  Em 2004, a prefeitura decretou o tombamento de dois dos três lotes que compõem o terreno como patrimônio cultural, histórico e ambiental e em 2008, a área foi declarada de utilidade pública para a construção do parque, o que impediu a venda dele para construtoras interessadas em erguer ali três torres de uso misto. Mas o poder público não pagou pela desapropriação até 2013 alegando falta de verbas e o decreto caducou. As construtoras compraram o terreno e fizeram um projeto de dois edifícios com até 45 metros de altura, ocupando área equivalente a 33% do terreno, que foi aprovado pela administração municipal em janeiro de 2015. Segundo a construtora, 82% da área seria aberta ao público, seria criado um bulevar na rua Gravataí ligando à praça Roosevelt e um parque administrado com verba privada. O histórico da batalha jurídico-burocrática está melhor detalhado nos sites dos movimentos.

O sentimento da população é de que o parque foi subtraído da cidade. Os movimentos passaram a organizar ocupações, vigílias, shows, eventos culturais e esportivos no terreno do parque. A Samorcc (Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César), o grupo Aliados do Parque Augusta, o Organismo Parque Augusta, o Movieco e outras entidades e coletivos se mobilizaram para se oporem ao empreendimento. Para Raquel Rolnik, os movimentos fazem parte de uma nova onda de ativismo na cidade que envolve, em sua maioria, jovens cidadãos paulistanos de classe média. E, a partir da vontade de se apropriar dos espaços públicos da cidade, esses jovens passam a participar do debate sobre a política urbana da cidade.

Os novos proprietários, para impedir o acesso, completaram o muro e proibiram qualquer uso. Os movimentos pediram que fosse usado um instrumento previsto no Plano Diretor e no Estatuto das Cidades, a Transferência do Direito de Construir. Com isso, as construtoras receberiam da prefeitura títulos equivalentes aos metros quadrados de potencial de construção do parque. Mas o presidente da construtora Setin, uma das duas proprietárias do terreno, Antonio Setin diz ter pago 240 milhões de reais pelo imóvel, alega que não tem interesse na permuta porque não possui terrenos na região e não abre mão do que entende como seu direito de construir.

Em março de 2015, a prefeitura anunciou que poderia aplicar no parque os R$ 73 milhões que tem a receber por indenizações de bancos estrangeiros que movimentaram dinheiro desviado da administração municipal nos anos 1990. Mas, para os proprietários, este valor não é suficiente e, em agosto de 2015, o impasse permanece. A prefeitura vai ou não fazer?

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Texto: Francine Sakata

Referências:

https://raquelrolnik.wordpress.com/2015/01/29/mitos-e-verdades-sobre-o-parque-augusta/

http://www.parqueaugusta.cc/ja/quem-somos/

http://parqueaugustasp.blogspot.com.br/

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/201cparque-augusta-vai-ter-seguranca-e-wifi201d-diz-presidente-da-construtora-setin-4146.html

Parque Madureira: samba, skate e ski

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Ao contrário da zona sul, a zona norte do Rio de Janeiro é muito carente de arborização e de áreas de lazer de forma que o Parque Madureira tem sido um enorme sucesso. O Parque Madureira tem atrações para todas as faixas etárias, inclusive um palco grande o suficiente para acomodar uma bateria inteira, já que Madureira é sede das escolas de samba Portela e Império Serrano.

É um parque linear. Ele ocupa uma faixa de aproximadamente 60 metros de largura, entre uma rua, de um lado, e a ferrovia e rede de transmissão elétrica, de outro. Internamente o parque tem uma rua própria, reta e asfaltada, para ciclistas e corredores, o que livra os demais caminhos do parque deste “trânsito” mais rápido e pesado.  Crianças e caminhantes podem circular sem o risco das trombadas.

Idealizado pela Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e com projeto arquitetônico, urbanístico e paisagístico desenvolvido pelo escritório do arquiteto Ruy Rezende, o parque ocupa uma área de 109 mil m². Apesar de cheio de atrações, é um parque pequeno. Estranhamente foi anunciado pela prefeitura (e isto foi repetido por toda a imprensa e sites) que é “o terceiro maior da cidade, menor que o Parque do Flamengo e a Quinta da Boa Vista”. O Parque do Flamengo é realmente muito maior (1.301.306m²) e a Quinta tem 378.000m². Mas o Bosque da Barra tem 500.000 m², o Parque Lage 522.000m² e por aí vai. Até o Campo de Santana é maior, com 155.200m². A informação festiva sobre Parque Madureira é falsa. Talvez ele seja o terceiro menor. E, mesmo com a expansão do parque de 1,3km para 4,5km que está prevista para ser concluída em 2016, sua posição no ranking não se altera muito.

O que o parque tem em quantidade são as atrações. Há de tudo: quadras poliesportivas, de futebol, pistas de skate, mesas de ping-pong, academia ao ar livre, lanchonetes e jardins. Um destaque é uma cascata d´água com degraus molhados para o banho das crianças e uma faixa de areia para brincar de praia. Com a ampliação estão previstos muro de escalada, escola de jardinagem, mirante e, a grande nova atração, uma pista de esqui, construída à base de polímero umedecido e sistema de irrigação para o deslizamento das pranchas, que serão alugadas.

Não é um parque à inglesa, com caminhos sinuosos em meio às massas de árvores.  É definitivamente um parque contemporâneo, com desenho geométrico e uma sequência de espaços que remete mais aos térreos-clubes dos grandes conjuntos residenciais que aos tradicionais parques românticos. É contemporâneo inclusive no discurso, porque a obra buscou selo de qualidade e foi explicada com ênfase na sustentabilidade.

Provavelmente não seria necessário buscar notoriedade pelo tamanho, pelas novidades ou pela sustentabilidade porque a imensa demanda e o visível prazer que as pessoas têm de frequentá-lo  são o verdadeiro sucesso.

Texto: Francine Sakata

Fotos: Francine Sakata e Sidney Carvalho (aéreas), 2014.

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Referências:

http://www.cidadeolimpica.com.br/expansao-do-parque-madureira-comeca-em-maio/

http://www.rra.com.br/projetos/parque-madureira-rio-20

http://parque-madureira.blogspot.com.br/2012/11/sobre-o-parque_13.html

O caso raro do Itaú Conceição

Em São Paulo, a estação Conceição do metrô é acessada por uma praça muito sofisticada, ornada com vegetação, espelhos d´água e esculturas.  Junto à saída da estação, sob a copa da árvore, meninos dançam hip-hop.  Escadaria acima está um terminal de ônibus movimentado. A praça é também entrada de cinco edifícios administrativos do Banco Itaú. É um caso raro de espaço público de grande qualidade, executado e mantido por uma empresa privada.

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O nome oficial é Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha mas o lugar é também o Centro Empresarial Itaú Conceição. Concluído em 1990, este conjunto tem origem em uma operação urbana conduzida pela Emurb, a Empresa Municipal de Urbanização, por ocasião da construção do metrô. A venda de terrenos para o banco que tiveram que ser desapropriados e comprados para a obra do metrô era uma forma de recuperar parte do investimento. O projeto foi feito pela Itauplan para a Emurb. O paisagismo ficou por conta de Maria de Lourdes Oliveira.

Os edifícios foram posicionados girados para não parecerem um bloco único. Uma das torres foi feita espelhada e sobre um apoio único central.  Mas o que chama a atenção é a praça. Conta-se que o dono do banco mandou os projetistas viajarem pelo mundo pesquisando fontes e chafarizes.

Se alguém for fotografar o espaço, surgirão seguranças questionando a finalidade das imagens. Eles estão lá o tempo todo, fazendo a vigilância do banco mas são uma presença sutil e não há muros ou grades. Em geral, no Brasil, há barreiras agressivas separando o espaço público do privado. Ali são os espelhos d´água que fazem esta separação entre as áreas de circulação do povo e os halls de entrada dos edifícios. Visualmente parte dos espaços privados continua acessível e tudo foi feito com a mesma qualidade, com os mesmos pisos de granito e mosaico português vermelho.

Para um lugar assim nascer, é porque deu certo de juntar muita gente esclarecida. Será que o Parque Augusta não  podia ganhar um projeto assim, inteligente e bem feito, para o empreendedor, o povo, a prefeitura, todo mundo sair ganhando?

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Texto: Francine Sakata.  Fotos: Caroline RibeiroCauê Aragão/ 2014.

Referência:

ROBBA, Fabio e MACEDO, Silvio Soares. Praças Brasileiras. São Paulo: Edusp, 2002.

Para que reconstruir o Vale do Anhangabaú?

A prefeitura de São Paulo anuncia em agosto de 2015 um projeto novo para o Vale do Anhangabaú. Pelo que se conhece, tudo começou com algumas oficinas de discussão em 2013, que contaram com a orientação do dinamarquês Jan Gehl e o apoio do Banco Itaú, em que foram avaliados os usos do espaço, os percursos e as reclamações dos usuários. Constatou-se que é um lugar com muita passagem e pouca permanência. E foram lançadas visões para a transformação do espaço.

A proposta que será apresentada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e pela SP Urbanismo vai bem até a parte em que propõe “fachadas ativas” porque vitrines são mais interessantes para os pedestres que muros e portas fechadas e pede por mais atrações e mais bancos, para que as pessoas possam se sentar e se deixar ficar. Mas depois a proposta desanda, porque prescreve que, para o incremento dos usos, seria também preciso trocar toda pedra portuguesa por outro piso mais liso, eliminar todos os desníveis e criar muitas fontes d´água com jatos que saem do piso e seriam desligados para a realização de eventos no Vale.

Projeto proposto em julho de 2015 pela SMDU da PMSP
Projeto proposto pela SMDU

Por que descartar sem cerimônia o projeto implantado, de autoria de Jorge Wilheim e Rosa Kliass, vencedor de um concurso nacional, que foi projetado e executado com um esmero raro em espaços públicos?

Antes do concurso, nos anos 1980, o vale estava tomado pela avenida e os pedestres só o cruzavam pelo Viaduto do Chá. Depois de alguns atropelamentos, a solução que estava sendo estudada era a construção de novas passarelas sobre o vale. Mas, incomodado com o que isto representaria para a imagem da cidade, o prefeito acatou o concurso de arquitetura. A equipe vencedora propôs rebaixar a avenida e, sobre a laje, implantar um projeto paisagístico arrojado, com piso em pedra portuguesa e granito rosa, em linhas ora sinuosas, ora geométricas, para o uso do pedestre. Rosa Kliass também desenhou canteiros com vegetação, espelhos d´água, esculturas, banheiro público. A proposta ainda incluía creche e um café junto aos chafarizes.

Foram dez anos até a inauguração em 1991. Pelas dimensões da área, fica claro que a obra consumiu vultosos recursos. Felizmente, o resultado foi muito bom, digno de São Paulo. A pedra portuguesa é apropriada para espaços públicos, além de tradicional e elegante. Mas a manutenção de modo geral e a limpeza, ao longo dos anos, foi irregular e muito aquém da necessidade. Os espelhos d´água, por exemplo, estão desligados há muito tempo. Não é razoável trocá-los por outros.

O banheiro público nunca vimos funcionar. Se o espaço hoje cheira a urina, não é a eliminação do banheiro que vai mudar isto. Certamente não há uma solução fácil para os moradores de rua mas imaginar que não existem é o que menos resolve. Assisti-los, possivelmente, passe por pensar questões como: é desejável ou não que as fontes sejam usadas para lavar roupa? Se não, isto pode ser feito em outro lugar?

Os espaços públicos da cidade têm carências imensas. Neste contexto, o descarte completo do projeto do Vale do Anhangabaú não se justifica. É requalificar um espaço já qualificado. Antes de qualquer obra, é razoável que a prefeitura busque aproveitar o projeto existente com intervenções menores, dentro de um novo programa de gestão e animação. E que lhe dê sempre a devida manutenção. 

Cartão Postal. Foto: Roberto Stajano, 1997.
Cartão Postal. Foto: Roberto Stajano, 1997

Texto: Francine Sakata, agosto de 2015.