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Parques de Porto Alegre

O município de Porto Alegre, segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (SMAMS)¹, conta com 8 parques urbanos, 637 praças urbanizadas e 4 unidades de conservação. Até 2017, esta secretaria era responsável pela implantação e manutenção das praças e parques de Porto Alegre. A partir deste ano, a manutenção das praças foi repassada à Secretaria de Obras e dos parques foi mantida com a SMAMS.
No entendimento dos técnicos da secretaria, os espaços públicos das praças e parques são destinados ao lazer, ao esporte, à contemplação e interação social; contribuem para o equilíbrio ambiental das cidades; são estruturadores do tecido urbano; e neles, as edificações devem ser evitadas ou minimizadas.
Para a prefeitura, os parques são áreas verdes com área superior a 100.000m², ainda que haja parques com área menor. São áreas com abrangência urbana, ao contrário das praças que são consideradas de abrangência local, e contam com administração própria – com sede e edificações de apoio. Assim, cada parque tem uma equipe própria de manutenção. Uma característica dos parques de Porto Alegre é que não são cercados, com exceção do Parque Germânia. A questão dos cercamentos dos parques é pauta de discussões na cidade.

Algumas unidades de preservação são áreas controladas e não tem acesso público, como o Parque Natural Municipal Morro do Osso, o Parque Estadual Delta do Jacuí e Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger.²

Os espaços livres de uso público no município têm surgido pricipalmente por conta da obrigação legal do empreendedor de destinar áreas públicas por ocasião do parcelamento do solo. O projeto deste espaço deve seguir as diretrizes da SMAMS e tem sido, em geral, executado pelo empreendedor. As áreas doadas ao município são mais compatíveis, pelo porte, com praças do que com parques. Os Termos de Compensação Ambiental não foram utilizados para construir ou equipar parques inteiros. Em Porto Alegre, até 2018, as praças não perderam protagonismo para os parques.

O trecho da cidade que tem recebido mais atenção e investimentos é a Orla do Rio (ou Lago) Guaíba, desde a área central até o Museu Yberê Camargo, ao sul. Há uma sequência de praças que foram revitalizadas pela prefeitura, algumas incluídas no pacote de obras para a Copa do Mundo de 2014. Será inaugurado, em 2018, um calçadão em torno da Usina do Gasômetro, projetado pela equipe do arquiteto Jaime Lerner, com terminal turístico para barcos de passeio, restaurante, bares, playground, academias ao ar livre, quadras esportivas, caminhos com arquibancadas para contemplação do pôr-do-sol, decks que se projetam sobre a água, ciclovia, jardins aquáticos, postes de iluminação altos e vistosos. Este trecho já possuía intensa apropriação para o passeio e a contemplação mas não possuía um tratamento sofisticado.

FORMA URBANA E SITEMA DE ESPAÇOS LIVRES

Parque Urbano da Orla do Guaíba, 1a fase, com 1.320m de extensão, entre o Centro Cultural Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias (2018), projeto do urbanista Jaime Lerner. Aos domingos, parte da Avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio) fica bloqueada para automóveis. Foto: Fábio Mariz Gonçalves, 2018. 

Junto à orla também está o Parque Marinha do Brasil e o Parque Maurício Sirotski, este último com apropriação eventual, em eventos itinerantes. O restante da Orla do Guaíba no município segue com vários graus de tratamento e de apropriação: há trechos com acesso público; trechos com o acesso pelos clubes náuticos; e trechos sem acesso público. Em frente ao Museu Yberê Camargo, uma faixa estreita tem sido intensamente utilizada (2018) para a contemplação do pôr-do-sol. Mais ao sul, no bairro Guarujá, há uma praia de areia e o calçadão de Ipanema, também com muito uso ainda que não muito largo. A praia de Ipanema até os anos 1960 era balneável, situação que se modificou com a expansão da cidade.

Entre os novos parques, o Parque Gabriel Knijnik (2004) era o sítio do engenheiro que dá nome ao parque, doador da área para que fosse transformada em parque municipal. O acesso é difícil. Possui pomar, uma área de banhado e uma grande área de preservação. Foram construídos sanitários, coreto, playground, churrasqueiras, duas quadras de futebol, cancha de bocha, passeios e estacionamento. Do alto do mirante, atualmente fechado, era possível avistar a área rural e a área urbana de Porto Alegre.

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Parque Gabriel Knijnik (2004), sítio particular doado em testamento à prefeitura. Fotos: Sérgio Louruz_PMPA, 2010.

O Parque Germânia (2006) foi planejado e construído por uma construtora e está circundado por empreendimentos imobiliários. Ao servir como espaço de lazer para os moradores, valoriza o entorno. A ideia era justamente esta, qualificar este setor da cidade para a moradia das camadas de alta renda que resistiam em mudar das áreas tradicionais da elite na cidade, como daquela em torno do Parque Moinhos de Vento. É um parque completo, com lago, gramados, administração, quadras de tênis, vôlei, basquete e futebol de salão, cancha de bocha, playgrounds, aparelhos de ginástica, caminhos para corrida ou caminhada, jardins para descanso e contemplação da natureza e uma área de preservação. Foi anunciado por seus idealizadores como sendo o primeiro parque cercado da cidade, o que não é necessariamente uma qualidade.
Em um bairro de população de rendas mais baixas, o Parque Chico Mendes e a Praça México, quase vizinhos, são desafios para a gestão municipal. O primeiro tem problemas com invasões, tráfico e insegurança e a segunda foi bem apropriada e recebida pela população.

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Parque Germânia (2016), com 150.000m². Segundo a construtora Goldsztein S/A, que concebeu o bairro Jardim Europa, o parque foi construído por ela e doado a Porto Alegre. Fotos: Silvio Macedo, 2010.

Os parquesTabela de Parques - Porto Alegre

Parques na malha urbana - Porto Alegre

Mapa de parques e rendas - Porto Alegre

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Fontes:
1 A Oficina Quapá SEL de Porto Alegre contou com palestra e participação de Marcos B. Profes e Sergio Tomasini, da SMAMS. SAKATA, Francine; DONOSO, Veronica; REIS, Juliana. Relatório Oficina Quapá-SEL Porto Alegre – 4 a 6 de abril de 2018, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. FAUUSP, 2018.
2 Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Smams) do governo do Estado do Rio Grande do Sul: Disponível em: http://www.sema.rs.gov.br/unidades-de-conservacao-2016-10
Texto: Francine Sakata, 2018.
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O ofício do arquiteto paisagista na Alemanha

Por: Laís Flores

Estou completando um ano no escritório onde trabalho como arquiteta paisagista, e achei que era uma boa hora de fazer um post sobre o assunto. Eu sou formada em arquitetura e urbanismo e trabalhei um pouco com paisagismo no Brasil. Como é minha área preferida da arquitetura, resolvi me focar nisso por aqui.

E após um ano de experiência na área na Alemanha, já dá pra fazer um post sobre as diferenças – que são muitas – dessa área aqui e no Brasil. Vou dividir o post em quatro partes pra organizar melhor. Alguns pontos valem não só para paisagismo, mas também para arquitetura.

  1. Incumbências e responsabilidades do arquiteto paisagista na Alemanha

A primeira grande diferença é que aqui arquitetura da paisagem – Landschaftsarchitektur – é uma área separada da arquitetura. O curso universitário de paisagismo é de 5 anos, como o de arquitetura, e só pessoas formadas nisso é que fazem projetos para espaços livres. Arquitetos nunca projetam espaços livres.

Uma outra diferença importante são os tipos de projetos mais comuns. No Brasil eu fiz muitos jardins, jardim de casas ou mesmo de sacadas. Eram projetos pequenos para pessoas que podiam pagar um arquiteto. Ou ainda jardins de edifícios comerciais. Fizemos também alguns projetos públicos, alguns parques e praças. Mas aqui os projetos de paisagismo são quase todos para espaços públicos. É que basicamente aqui para qualquer espaço livre se contrata um paisagista. Mesmo que seja uma área pequena, mesmo que nem dê para fazer muita coisa ali, sempre se contrata um arquiteto paisagista, porque é ele o responsável por projetar espaços livres e ninguém mais. E os tipos de projeto são bem variados: a gente faz muitas escolas (todas as escolas tem um projeto de paisagismo), áreas livres de edifícios de apartamentos (que são áreas semi-públicas, já que são sempre abertas) e praças. Um tipo de projeto interessante que é responsabilidade de paisagistas são áreas esportivas, quaisquer que sejam. No escritório eu já participei de projetos de campos de futebol, um percurso de BMX e um percurso de Biathlon (ski + tiro ao alvo). Projetos de jardins particulares são raríssimos. Isso certamente porque os alemães gostam de jardinagem e gostam de ter um jardim. Poucos pensariam em contratar um paisagista para fazer o jardim de casa porque preferem fazer isso eles mesmos.

E uma coisa particular do escritório em que eu trabalho é que a gente também faz vários projetos de planejamento da paisagem, que são projetos em escala maior. A maior parte dos escritórios de paisagismo trabalham só com projetos de lugares (Objektplanung) mas alguns fazem também planejamento da paisagem. São por exemplo a parte ambiental de projetos de zoneamento (Bebauungsplan, ou B-Plan), onde se decide coisas como a porcentagem de cobertura arbórea de uma rua ou de uma área verde em planejamento, localização de parquinhos, ou áreas esportivas, ou ainda bacias de retenção de águas pluvias, entre outras infraestruturas urbanas.

  1. Burocracias

Essa é a parte boa. A parte ruim desse trabalho aqui é que ele é muuuuuuuito mais burocrático que no Brasil. Isso eu já falei no post sobre Arquitetura na Alemanha (porque vale pra arquitetura e paisagismo), aqui pra cada coisa que você faz tem mil burocracias que vão junto: formulário x, lista y, texto não sei qual, etcetc. Tem uma coisa que aqui se faz para cada projeto chamava Leistungsverzeichnis, abreviado LV. É uma descrição nos mí-ni-mos-de-ta-lhes de tudo que vai no projeto. Tudo. Nos mínimos detalhes. Quando eu digo mínimos detalhes, vc tá pensando “ah, ok, detalhes, tal, tudo bem”. Mas é muito pior do que você está imaginando. Por exemplo, digamos uma parede. Só isso, uma parede. O texto do LV seria algo desse tipo:

“Parede de tijolos, DIN EN 1996, parede externa, 15m²

Largura da parede 24cm
Tijolos de arenito calcário, DIN EN 771-2 em conexão com DIN V 20000-402 ou DIN V 106, KS L-R, classe de resistência 12, Densidade 1,6,
Argamassa MG II a DIN V 18580 ou DIN V 20000-412 em conexão com DIN EN 998-2.”

(os códigos loucos são as normas que especificam detalhes do material da parede, resistência, coisas assim)

Daí se na parede tem por exemplo um vão para uma janela ou uma porta, isso é um texto a parte. O revestimento da parede é um texto a parte. Etcetc. O negócio é todo descrito nos mínimos mí.ni.mos detalhes. É uma coisa meio insana. Isso é o texto que você manda para a construtora para eles calcularem o preço do serviço. Por isso que tem que estar tudo nos mínimos detalhes, porque se não cada coisinha que você não especificar – ainda que seja óbvio e que seja feito sempre assim e que não dê pra fazer de outra forma – a construtora vai aproveitar pra te cobrar extra depois porque eles tiveram que fazer “extra”, já que não estava no seu texto descritivo dos serviços.

Você está se perguntando: mas meu Deus, COMO é que eu vou saber todos esses detalhes???

Basicamente você sempre copia. Ou de outro projeto similar (mudando só as quantidades, claro), ou então tem sites onde você encontra textos modelos para cada tipo de coisa (precisa ter uma conta paga), e assim vai. Quando é alguma coisa mais diferente, que você mesmo projetou assim (por exemplo um banco, uma pérgola, sei lá, algo que você projetou daquela maneira específica), aí você tem que projetar tudo nos mínimos detalhes, mesmo. A descrição acaba sendo fácil quando você pensou tudo até cada parafuso.

Isso é uma coisa que assusta no início, mas você vai aprendendo aos poucos. Os alemães também não se formam sabendo fazer isso não. É uma coisa de aprender na prática.

Outra coisa interessante são as fases do projeto (Leistungsphasen, abreviado LPH). Aqui o projeto é bem precisamente separado em 9 fases, e o tempo todo se faz referência a essas fases. São elas:
1 – Grundlagenermittlung – Avaliação básica: é o levantamento, basicamente. Isso quem faz não é o arquiteto mas um escritório de levantamentos (Vermessungsbüro) que vai no local da obra e mede tudo nos mínimos detalhes.
2 – Vorplanung mit Kostenschätzung – Pré-projeto com estimativa de custo: São os primeiros desenhos do projeto, não muito detalhados, com uma estimativa de custo (seguindo um padrão específico, claro, por motivos de Alemanha).
3 – Entwurf mit Kostenberechnung – Projeto preliminar com cálculo de custos: o projeto um pouco mais detalhado, com um cálculo de custos um pouco mais detalhado.
4 – Genehmigungsplan – Projeto da prefeitura (o projeto para aprovação na prefeitura, ou nos órgãos de licenciamento que forem necessários).
5 – Ausführungsplan – Projeto executivo, com todo o detalhamento necessário.
6 – Vorbereitung der Vergabe – Preparação das orçamentos. Aqui é que vem o LV, que é o documento enviado para as diferentes empresas com quem se quer fazer um orçamento para a construção. Eles colocam o preço para cada item e te entregam então a oferta final.
7 – Mitwirkung der Vergabe – Comparação dos orçamentos. Tendo recebido orçamentos de diferentes empresas de construção, o arquiteto compara e escolhe a empresa que será contratada para a execução do projeto (normalmente a que ofereceu o serviço pelo preço mais baixo, claro).
8 – Objektüberwachung – Acompanhamento da obra
9 – Objektbetreung – Gestão da obra, ou tudo o que precisa ser feito depois que a obra fica pronta: checar as faturas das firmas que foram contratadas para a construção, verificar se tudo foi feito direitinho, contatar as firmas pra corrigirem eventuais erros ou coisinhas que ficaram faltando, etc…

Dessas 9 fases você ouve falar o tempo todo, todo mundo sabe qual é qual, em qual delas o projeto está, etc. E isso vale não só pra projetos de paisagismo, claro, mas para qualquer projeto de construção. Raramente um escritório de arquitetura faz só o projeto sem a obra, por exemplo. Normalmente o mesmo escritório faz a obra inteira em todas as suas 9 fases.

  1. Detalhamento e execução

Mas toda essa precisão e detalhamento tem seu lado postivo. As coisas aqui são Executadas! De Acordo! Com O Projeto! Direitinho! Bonito! Bem Feitinho!

Não quero ser aquela pessoa que fica “ui, porque olha que lindo aqui na Alemanha, imagina no Brasil…”, mas gente. Olha que lindo isso, sabe! Imagina no Brasil? As fotos acima são uns detalhes de um espaço livre de uma escola pública, sabe. Nem tudo é lindo na Alemanha, mas a execução perfeita dos projetos de arquitetura é sim!

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Outra coisa um tanto invejável é o mobiliário urbano usado por aqui. Os bancos são bonitos, bem acabamos, com materiais bons. Seria impensável colocar numa praça pública aqui aquele banco horroroso de concreto comum em pracinhas em cidades pequenas do Brasil.

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E antes que digam “ah, mas eles têm dinheiro pra gastar com isso”, é importante notar que esses detalhes bem feitos nem sempre é uma questão de dinheiro. É claro que um banco mais bonito custa mais caro que um bloco de concreto tosco no formato de banco. Mas aqui também se procura manter o preço da execução o mais baixo possível, especialmente quando se trata de um espaço público. Não é diferente. A diferença é o que é o “mínimo aceitável”. É muito mais uma questão de prioridades do que de preço. Não tô dizendo que no Brasil rolaria fazer os projetos tão bonitos e bem executados que aqui pelo mesmo preço que a gente paga normalmente pela reforma de um espaço público lá, mas que se a estética do espaço público não fosse vista como algo de pouca importância, não seria tão difícil para arquitetos executarem projetos melhores. Porque a estética do espaço público é extremamente importante, um espaço livre bem projetado e bem executado – mesmo que simples – faz muita diferença na qualidade de vida das pessoas que passam por ali diariamente.

  1. Plantas

Mas porque nem tudo são flores – literalmente – ainda resta um assunto para discutir quando se fala de arquitetura da paisagem: as plantas.

Talvez a parte mais frustrante de ser arquiteto paisagista aqui – em relação ao Brasil – são as plantas. As plantas, mesmo, árvores, arbustos, forrações, flores, etc.

Árvores até vai, tem bastante árvores bonitas, aqui, e uma diferença legal é que no outono elas ficam todas amarelas e laranjas e algumas vermelhas e isso é maravilhoso.

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Na primavera algumas árvores ficam todas floridas, como as cerejeiras, e isso também é bem bonito:

Mas não tem árvores que ficam totalmente amarelas ou roxas de flores como nossos ipês, ou totalmente vermelhas como nossas eritrinas entre várias outras. E o legal do Brasil é que as nossas árvores florescem o ano todo – quer dizer, em todas as épocas do ano sempre tem alguma espécie de árvore que está florescendo. Aqui é só na primavera que elas florescem, no verão está tudo verde, no outono fica tudo amarelo e marrom, e no inverno, tudo seco e sem folhas. Sinto falta dessas árvores:

Mas o que decepciona mesmo são os arbustos e forrações muito sem graça. O que mais me chateia é a ausência de plantas com folhas grandonas, bonitas e bem verdes. Aqui os arbustos tem meio cara de coisa seca, de mato, sei lá. Fiquei aqui procurando uma foto de algum exemplo e nem achei pq acho que nunca nem me deu vontade de fotografar. Até dá pra fazer umas coisas bonitas, mas nem se compara às nossas plantas tropicais:

Essas plantas tropicais com folhas gigantes e maravilhosas você só encontra aqui em vaso dentro de casa (e alemão adora ter planta em casa, aliás). Inclusive várias espécies que a gente tem em jardim aqui eles têm em vasos. Porque ao inverno lá fora só planta feia sobrevive.

Publicado originalmente em 23/12/2016 em: https://manhadealemanha.wordpress.com/2016/12/23/arquitetura-da-paisagem-na-alemanha/

Pelos passeios de São Paulo…

Falar de calçadas é também tratar de um tema que se tornou um dos principais desafios das metrópoles contemporâneas: trata-se da mobilidade urbana.

Você sabia que em São Paulo mais de 30% da população se locomove a pé?

Traduzindo em números, cerca de 14 milhões de pessoas utilizam as calçadas de São Paulo para deslocar-se todos os dias: Os motivos são os mais variados e as distâncias também.

O fato é que a locomoção e o deslocamento acontecem sobre um tipo de espaço livre peculiar: as calçadas. Mas, o que é uma calçada? Quais são os elementos que a compõe?

O Decreto Municipal 45.904 de 2005 define os elementos que compõem uma calçada e descreve as 5 faixas que descreveremos as seguir:

– a primeira é a sarjeta, ou ainda, o local por onde escorrem as águas das chuvas, por exemplo, e que fica entre o leito carroçável e a guia. A guia é a elemento que separa a sarjeta da calçada.

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Fonte

 

– em seguida, vem a faixa de serviço que é aquele espaço de no mínimo 75 cm,  destinado à instalação de equipamentos e mobiliário urbano como vegetação, tampas de inspeção, grelhas de exaustão, de drenagem, lixeiras, postes de sinalização, iluminação pública e eletricidade, floreiras, caixas de correio, telefones públicos e mais dezenas de outras interferências colocadas por permissionárias e concessionárias públicas.

– Logo depois vem a faixa livre, ou seja, aquele lugar em que o pedestre anda livremente e que possui superfície regular, firme, contínua e antiderrapante com largura de, no mínimo, 1.20 m. Trata-se de espaço suficiente para duas pessoas andarem lado a lado. Este lugar tem inclinação transversal de até 2%, ou seja, quase imperceptível para quem está andando mas, que permite, que a água de chuva escorra para a sarjeta sem empoçar no meio do caminho. Quanto à inclinação, ela tem que se igual à da rua: nada daquilo de fazer degraus, escadinhas e várias outras soluções que a gente encontra todos os dias por aí e que nada mais são do que soluções criativas para facilitar a vida particular dos donos dos imóveis ou seja, facilitar a entrada do carro na garagem, servir de apoio para mesas de bares e restaurantes por exemplo.

– Depois temos a faixa de acesso que é a área destinada à acomodação das interferências que são resultantes da implantação, do uso e da ocupação das edificações existentes na via pública. Trata-se da colocação de jardins, floreiras, lixeiras e quaisquer outras necessidades do edifício que está em frente a ela. De qualquer forma, precisa de autorização da prefeitura e só é recomendável para calçadas com mais de 2 metros de largura.

 

– Por fim o decreto apresenta as esquinas incluindo a intervisibilidade. A esquina constitui o trecho do passeio formado pela área de confluência de 2 (duas) vias. 

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Fonte

No evento Calçada-Cilada realizado aqui no FIAM-FAAM Centro Universitário em 01 de abril de 2016, algumas sugestões para a melhoria da vida das pedestres foram apontadas.

O evento contou com a participação de alguns convidados que tratam do assunto. São eles o jornalista Marcos de Souza (MOBILIZE), a arquiteta Meli Malatesta (Cidade a pé e também da ANTP), Andrew Oliveira (Corrida Amiga), Luiz Eduardo Bretas (SPUrbanismo) e Ramiro Levy (Cidade Ativa).

Destaquei algumas mas, se você quiser conhecer as demais, acesse o vídeo do evento aqui:

  • Ampliação das calçadas, passeios e espaços de convivência;
  • Redução de quedas e acidentes relacionados à circulação de pedestres corrigindo e readequando calçadas existentes ou seja, projetando e implantando as cinco faixas ou quando não houver espaço, ao menos as três primeiras – guia e sarjeta, faixa de serviços e faixa livre de 1.20 para o deslocamento;
  • Por fim, a padronização e readequação dos passeios públicos em rotas com maior trânsito de pedestres;

Mas tem uma ação que considero fundamental: por meio de campanhas educativas promovidas pela prefeitura e também por meio das ações criadas pelo ativismo civil organizado, conscientizar os cidadãos da importância das calçadas como um dos elementos que compõem o espaço público das cidades lembrando sempre que a qualidade dos espaços destinados aos cidadãos caracteriza o nível de civilidade de um país. Se quiser saber mais, acesse a Agenda 2030 e Project for Public Spaces.

Por que fazer o térreo livre?

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Dois prédios muito parecidos na sua natureza e na sua localização mas muito diferentes em sua relação com a cidade. Ambos de salas comerciais em esquinas da Rua Cubatão, uma rua muito movimentada, próxima da Paulista, cheia de gente andando para um lado e para o outro. Um prédio está cercado e o outro não tem fechamento nenhum.

O prédio na esquina com a Afonso de Freitas abriga o Ministério Público do Trabalho. O térreo recebeu um gradil de vidro (que é muito melhor que um muro), jardins e espelho d´água. O cercamento foi feito quase todo junto do alinhamento da calçada.  Tem também uma “porte-cochère”, aquele acesso de carros em que a pessoa pula do carro para o interior do prédio sem precisar tocar o chão (mas duvido que usem). Para dentro do gradil, só o segurança e os eventuais visitantes. A maioria dos edifícios residenciais e comerciais segue este padrão.

Na esquina com a rua Sampaio Viana, o prédio projetado por Jonas Birger tem inquilinos variados e o térreo é aberto. O projeto paisagístico de Isabel Duprat é sofisticado: tem espelho d´água, muro de pedra, jardim iluminado, piso de granito apicoado. Junto à entrada do edifício, há uma cobertura que acolhe o visitante e também abriga mesas e cadeiras, que podem ser usadas para descanso, espera e lanchinho. Tudo aberto. Ali já foi montada uma banca de livros infantis. Se o desejo do térreo aberto partiu do arquiteto, da paisagista ou do cliente ainda não sei, mas é mérito de todos que a ideia tenha ido a diante.

A primeira vez que passei por ali essa elegância toda me chamou a atenção.  Mas quem compara um espaço com o outro todos os dias é o arquiteto Carlos Amorim Lavieri​, que mora por ali, que frequenta a Casa das Rosas, e cujo cotidiano seria mais interessante se os espaços urbanos tiverem mais qualidade. O dele e o de todo mundo. (Também se as esfihas vendidas por ali mantiverem a receita).  A cidade dos sonhos está nos detalhes.

Texto:  Francine Sakata, arquiteta paisagista, maio 2015.

O que mais gosta na nova praça? O wi-fi, claro!

Texto: Francine G. Sakata

Pesquisa: Claudia Maria Fernandes

Fotos: Claudia Maria Fernandes

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Em setembro de 2014, a Praça Ouvidor Pacheco e Silva, localizada em frente ao prédio da histórica Faculdade de Direito do Largo São Francisco e o Largo do Paissandu receberam intervenções paisagísticas temporárias denominadas parklets. Essa ação incluiu colocação de cadeiras de praia e outras estruturas para favorecer o uso e a permanência das pessoas em espaços públicos nos quais a falta de cuidado inspirava insegurança.

A cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, foi a primeira a oficializar esta figura, em 2010, convertendo vagas de automóveis em ambientes agradáveis aos pedestres e ciclistas. O termo parklet faz referência à transformação do parking (estacionamento) em park (parque).

No Brasil, a ONG Instituto de Mobilidade Verde, presidida por Lincoln Paiva, tem lutado para a inclusão dos parklets nas políticas públicas. Em 2014, a ONG pôde contribuir na redação de um decreto, assinado pelo prefeito Fernando Haddad, que regulamentou sua implantação na cidade de São Paulo. A prefeitura paulistana tem buscado implantar medidas que visam fazer prevalecer a utilização da cidade pelas pessoas em relação aos automóveis, para que o espaço urbano seja mais agradável e mais saudável.

No Largo São Francisco, graças à parceria da prefeitura com um banco e uma construtora, foi criado um parklet com previsão de duração de dois meses. A área não era estacionamento mas tinha problemas de manutenção, vinha sendo ocupada por moradores de rua e estava espantando o passante comum, zeloso por segurança. A intervenção acabou agradando comerciantes, trabalhadores e moradores do centro da cidade.

A aluna de arquitetura da FIAM FAAM e pesquisadora Claudia Maria Ramos de Oliveira Fernandes, sob orientação da Profa. Francine Sakata, esteve diversas vezes no Largo São Francisco, antes e depois da intervenção conversando com os usuários.

PROJETO

Feita com a colaboração da Metro Arqutitetos e da consultoria dinamarquesa Gehl Architects, a intervenção na Praça do Ouvidor Pacheco e Silva é considerada um piloto para testar soluções de mobilidade e de convivência social. Foram colocados à disposição da população: um extenso deck de madeira com diferentes níveis, uma grande mesa, cadeiras reclináveis de praia (como na ação piloto no Times Square em Nova York), guarda-sóis, cinema na praça, barracas de comidas e livre acesso a “wi-fi”.

Também foram feitos nova faixa de pedestres, anteparos para proteger as pessoas da ventilação no subsolo, paraciclos, ciclovia, sanitários, Centro de Informações, e foram plantadas árvores e palmeiras e foi revista a iluminação. O local apresenta ainda uma agenda de atrações: “Pocket Shows”, feira gastronômica, cinema ao ar livre e karaokê.

ENTREVISTAS

As pessoas que Claudia Maria Fernandes conversou foram unânimes em elogiar a proposta. Um recurso apontado como grande fator de atração é a conexão wi-fi de qualidade. Trabalhadores da região aproveitam a hora de almoço para descansar ao ar-livre usando seus smartphones.

Os comerciantes locais também se mostraram satisfeitos, relatando que as vendas aumentaram muito e torcendo pela permanência do parklet como foi concebido.

Claudia Fernandes demonstra que a intervenção não segrega classes sociais porque também atraiu famílias pobres e o convívio tem sido harmonioso. Vários edifícios do entorno encontram-se invadidos pelos movimentos pró-moradia e essas famílias têm utilizado o local para o lazer cotidiano. A intervenção, com seu ar praiano, acolhe um amplo espectro de pessoas.

ALCANCE DOS PARKLETS

Certamente a vizinhança com a Faculdade de Direito, a Secretaria de Segurança Pública e outras instituições foi crucial para que o banco e a construtora dessem o apoio financeiro à obra. Em um espaço urbano sem alto fluxo de pessoas economicamente ativas, um parklet nem teria a manutenção adequada nem mesmo seria implantado. Mas isto não tira a necessidade e o mérito de tratar espaços urbanos de alta visibilidade, em especial o centro da cidade, que é de todos por natureza. Aliás, o fato de ter visibilidade não tem sido suficiente para garantir a atenção da municipalidade para os espaços públicos da área central cuja manutenção tem sido sazonal ao longo das últimas décadas.

O parklet do Largo São Francisco mostrou que intervir com qualidade nas praças do centro é necessário e tem potencial para gerar um ciclo de contentamento e, com ele, para transformações sociais e econômicas mais amplas. A construção de cidades mais humanas e propiciadoras de uma vida mais saudável para todos deve ser um compromisso do poder público. Torcemos para que esta busca não seja interrompida.

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Mais informações:

http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/noticias/intervencoes-urbanas-nos-largos-sao-francisco-e-paissandu-abrem-serie-de-acoes-no-centro-da-cidade/

https://www.facebook.com/pmsp.smdu

http://institutomobilidadeverde.wordpress.com/page/7/

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia