Parque Lina e Paulo Raia

Texto e fotos: Matheus Casimiro, 2016.

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Este parque de bairro foi implantado em 1980 na região Sul de São Paulo, na Subprefeitura Jabaquara, com a denominação Parque Conceição. É um importante parque municipal, que apesar de pequena dimensão, apresenta características irrefutáveis de um jardim público urbano. Com seus 15 mil m², este exemplo coloca em xeque diversas classificações do Sistema de Áreas Verdes, que tomam como único pressuposto de divisão das tipologias dos espaços verdes, a dimensão de suas áreas.

Ele foi implantado na ocasião de um abrangente Plano de Urbanização, liderada pela antiga EMURB, no bairro Conceição, para a implantação da estação de metrô homônima, da linha Azul. Seu terreno foi preservado pra usufruto público já em 1974, visando a preservação de importantes indivíduos arbóreos já consolidados no sítio à época. Seu projeto e obra foram realizados pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes.

É um dos menores parques municipais da cidade até a atualidade, tendo apenas 15 mil m² de área. Sua pequena dimensão o coloca em uma posição de destaque entre os demais parques implantados, sendo semelhante a metragem de outras tipologias do Sistema de Áreas Verdes Municipal. Seu formato do sítio é nucleado e apresenta, além de vistosa vegetação, três instalações prediais de propriedades contíguas das antigas chácaras, que foram adaptadas para receber atividades de cunho artístico.

O seu acesso principal é pela Rua Volkswagen, s/n, havendo outra entrada em fase oposta de seu perímetro, em rua de âmbito local. A maioria de seus limites, contudo, é constituída por divisas de outros lotes, sendo, portanto, de muros com propriedades particulares. Em seu interior, foram criadas pistas de caminhada, áreas de estar, 02 núcleos de playground, equipamentos para idosos, além de infraestruturas de sanitários e bebedouros. Os edifícios abrigam a Escola Municipal de Iniciação Artística, mantida pela Secretaria de Cultura, alem de haver uma pequena administração.

Chama a atenção do parque um pequeno orquidário improvisado em um local de pouca circulação, além de um extenso corredor natural para passagem de águas pluviais. Em um ponto próximo ao nível do viário, há um grotão que permite o percolamento de águas provenientes da chuva de grande parte do seu entorno, que transformam parte do parque em uma linha hídrica natural de drenagem de seu impermeável bairro. A vegetacão em suas margens denunciam o solo úmido, sendo implantado também nesse trecho, uma charmosa ponte metálica ligando dois pontos opostos mais altos do parque, permitindo o cruzamento de pedestres em percurso seco independente do escoamento das águas nessa corrente de água intermitente.

O parque apesar de pequeno, devido a vegetação de grande porte, insere o usuário de modo pleno em ambiente natural. As copas cobrem a abobada do céu e o plano do horizonte, permitindo inclusive, que em certos pontos, chegue a ter perda de referência da localização do usuário. Sua vegetação é composta por bosque de mata atlântica, com exuberantes espécies arbóreas e arbustivas, com composições ornamentais de cenários naturais e antrópicos.

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Ponte metálica. 

Sua conservação é boa. Foram empregados materiais nos equipamentos comuns à sua época de implantação e reconhecidamente duráveis: tijolos aparentes, concreto, pedras e cimentados. Seus percursos são em alguns pontos de pedra portuguesa, outros de pedriscos, outros mesmo cimentados. A calçada perceptivelmente reformada há pouco tempo é também de pedra portuguesa. É interessante notar que o desenho de seus caminhos internos e estares são ortogonais, incomum a tradição dos parques feitos por DEPAVE.

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Destaque aos pisos dos percursos internos. 

Na ocasião da visita, em dia de semana entre as 10h e 12h, observou-se um heterogêneo público que o utilizava: pais e crianças da escola artística, crianças com babás no parquinho, empregados descansando em hora do almoço, idosos papeando, jovens passeando com cachorro ou lendo em um banco sob a sombra de uma árvore. Todos os para ciclos estavam cheios de bicicletas estacionadas denunciando a forma como vários usuários ali achegaram.

Esse é um importante parque municipal, que apesar de pequena dimensão, apresenta características irrefutáveis de um jardim público urbano. Esse exemplo traz luz às reflexões e métodos que tentam categorizar as áreas verdes, contradizendo as afirmações que tipificam parques apenas nos casos de grandes dimensões. O Parque Lina e Paulo Raia com seus 15 mil m² coloca em xeque diversas dessas classificações do Sistema de Áreas Verdes, que tomam como único pressuposto de divisão das tipologias dos espaços verdes, a dimensão de suas áreas. Esse é um exemplo de parque público, de abrangência local, que cumpre excepcionalmente a sua função de bairro, e traz um refúgio verde em meio a concretada região do Jabaquara.

 

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